Título : Lupi pede ajuda ao PT para assumir mandato de Saturnino no Senado
Data Publicação: 09/01/2003
Fonte : Clipping Ministério do Planejamento
BRASÍLIA. O senador Saturnino Braga (PT-RJ) e seu suplente, Carlos Lupi (PDT), protagonizam uma insólita guerra. Com uma carta assinada por Saturnino na manga, Lupi tenta exigir que o senador abra mão de metade do mandato em seu favor. Segundo Lupi, esse é o compromisso assumido por Saturnino numa carta manuscrita assinada quando da convenção do partido. Lupi foi pedir ajuda ao presidente do PT, José Genoino, na reunião de terça-feira. Entregando uma cópia da carta a Genoino, Lupi incluiu a reivindicação entre as apresentadas pelo PDT para assegurar sua participação no governo. — Isso é um problema de vocês. Estou estarrecido — reagiu Genoino. O presidente do PT terá mais motivos para perplexidade. Apresentando versões diferentes para as circunstâncias de elaboração e conteúdo da carta, Saturnino — que se elegeu pelo PSB e hoje está no PT — e Lupi trocam farpas. Saturnino teria...
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BRASÍLIA. O senador Saturnino Braga (PT-RJ) e seu suplente, Carlos Lupi (PDT), protagonizam uma insólita guerra. Com uma carta assinada por Saturnino na manga, Lupi tenta exigir que o senador abra mão de metade do mandato em seu favor. Segundo Lupi, esse é o compromisso assumido por Saturnino numa carta manuscrita assinada quando da convenção do partido. Lupi foi pedir ajuda ao presidente do PT, José Genoino, na reunião de terça-feira. Entregando uma cópia da carta a Genoino, Lupi incluiu a reivindicação entre as apresentadas pelo PDT para assegurar sua participação no governo. — Isso é um problema de vocês. Estou estarrecido — reagiu Genoino. O presidente do PT terá mais motivos para perplexidade. Apresentando versões diferentes para as circunstâncias de elaboração e conteúdo da carta, Saturnino — que se elegeu pelo PSB e hoje está no PT — e Lupi trocam farpas. Saturnino teria escrito carta em troca de apoio de Brizola Lupi diz que, em 1998, durante a montagem da chapa que levou Anthony Garotinho ao governo, Saturnino ofereceu-se para escrever a carta depois de ter recebido apoio de Leonel Brizola (PDT) para ser o candidato da aliança PDT-PT-PSB para o Senado. — Na época, nem o PSB acreditava na candidatura do Saturnino. Em 96, ele se candidatou à Câmara de Vereadores e teve nove mil votos. Foi o terceiro suplente. Ele se ofereceu para escrever a carta dizendo que só se elegeria por força da aliança. Se ele não cumprir o acordo, estará faltando com o decoro parlamentar — disse Lupi. Negando que tenha escrito a carta espontaneamente, Saturnino reage no mesmo tom de Lupi. Diz que errou ao concordar em escrevê-la, embora negue que esteja expresso nela o compromisso de abandonar o mandato na metade. — Ambos procedemos mal porque não avisamos o povo dessa combinação. O povo votou em mim para o mandato de oito anos e deu uma demonstração de que não quer Lupi no Senado. Basta ver sua votação na última eleição — disse Saturnino. E, recorrendo ao PT, avisa: — Não posso deixar o PT com menos um no Senado. Eu me penitencio. Não há sentido algum em trair a decisão do povo. Se o eleitor quisesse o Lupi no Senado, teria votado nele agora. Só o PT poderia tentar tirar meu mandato. Até o dia 31, quando Saturnino completa quatro anos no Senado, ele e seu suplente vão se digladiar pela vaga. Deputados por apenas um mêsEvandro ÉboliBRASÍLIA. No último mês da atual legislatura, a direção da Câmara está dando posse a 40 deputados que cumprirão apenas um mês de mandato e receberão salários e outras benesses, mas não trabalharão e só irão a Brasília para tomar posse. O Congresso está em recesso até fevereiro. Os privilegiados são os suplentes de deputados que viraram governadores, ministros ou secretários estaduais dos governos empossados no início de ano. Até ontem, 40 suplentes assumiram mandatos. A legislatura acaba em 31 de janeiro. Os novos deputados vão receber o salário de R$ 8 mil e terão direito a verba de gabinete, em torno de R$ 25 mil, além de passagens aéreas para seus estados de origem e do pagamento de despesas de moradia. Desde o início de janeiro, os novos deputados estão sendo empossados em cerimônias brevíssimas, no gabinete da presidência da Câmara. Ontem, por exemplo, o segundo vice-presidente da Câmara, deputado Barbosa Neto (PMDB-GO), num ato de dois minutos, deu posse a Prisco Viana (PPB-BA), que ainda leu um termo de posse e prometeu respeitar a Constituição. Viana vai substituir Jorge Khoury (PFL), que assumiu a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia. — Assumo por dever. Nunca vivi uma experiência dessa, mas não me sinto constrangido. É algo previsto na Constituição. Vou ficar à disposição da Câmara nesse curto período — disse Prisco Viana, que foi deputado federal titular durante sete mandatos. Barbosa Neto desejou boa sorte ao novo parlamentar. Dos deputados dessa legislatura que deixaram a Câmara para ocupar outros cargos, três renunciaram ao mandato porque se elegeram governadores: Aécio Neves (PSDB), em Minas; Germano Rigotto (PMDB), no Rio Grande do Sul; e Wellington Dias (PT), no Piauí. Outros oito deputados deixaram a Câmara para virarem ministros e secretários do governo Luiz Inácio Lula da Silva.