Título : Nova rota para a produção do Centro-Oeste
Data Publicação: 13/10/2003
Fonte : Clipping Ministério do Planejamento
Ponte do rio Paranaíba, obra com dez anos de duração, vai encurtar o caminho até os portos do Atlântico em 300 Km. A estrutura estaiada da ponte de metal e concreto de 662,7 metros de comprimento e 16 de largura que liga a margem sul-mato-grossense à mineira do rio Paranaíba é, desde sábado, o símbolo de uma das metas anunciadas em janeiro como prioridade do governo Luiz Inácio Lula da Silva: o término de obras inacabadas. A solenidade que reuniu cerca de 2 mil pessoas na margem mineira oficializou a abertura de uma nova rota de escoamento para a produção do Centro-Oeste e colocou fim a cinco ciclos de parada e retomada dos trabalhos iniciados em 4 de novembro de 1993, no governo Itamar Franco. "Não é possível que isto continue acontecendo no nosso País", disse o presidente Lula durante a solenidade de inauguração. A ponte de Porto Alencastro consolida, por meio da BR-497, a ligação...
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Ponte do rio Paranaíba, obra com dez anos de duração, vai encurtar o caminho até os portos do Atlântico em 300 Km. A estrutura estaiada da ponte de metal e concreto de 662,7 metros de comprimento e 16 de largura que liga a margem sul-mato-grossense à mineira do rio Paranaíba é, desde sábado, o símbolo de uma das metas anunciadas em janeiro como prioridade do governo Luiz Inácio Lula da Silva: o término de obras inacabadas. A solenidade que reuniu cerca de 2 mil pessoas na margem mineira oficializou a abertura de uma nova rota de escoamento para a produção do Centro-Oeste e colocou fim a cinco ciclos de parada e retomada dos trabalhos iniciados em 4 de novembro de 1993, no governo Itamar Franco. "Não é possível que isto continue acontecendo no nosso País", disse o presidente Lula durante a solenidade de inauguração. A ponte de Porto Alencastro consolida, por meio da BR-497, a ligação terrestre entre Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, até então amparada em balsas. A obra, segundo o Ministério dos Transportes, encurta em até 300 quilômetros o caminho do escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste para os portos do Atlântico e os estados do Sudeste, onde estão os principais mercados consumidores do País. "É a mais importante obra de integração inaugurada no Governo Lula", afirmou o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB), que lembrou a "grande compreensão" pela obra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Lula tratou de fugir de caminhos que levassem a paternalismo. "Não cabe ficar procurando quem é o pai da ponte. Eu acho que o pai da ponte são os 176 milhões de brasileiros que pagaram os seus impostos e possibilitaram que pudéssemos ter o dinheiro para concluí-la", justificou o presidente. No caso, foram R$ 6 milhões de recursos liberados este ano e mais cerca de R$ 15 milhões de restos a pagar ao Grupo Queiroz Galvão. No total, Minas Gerais aportou R$ 67 milhões dos R$ 124 milhões destinados à construção. Os outros R$ 57 milhões saíram dos cofres do governo federal. A ponte de Porto Alencastro se encaixa na escala definida no início do ano que colocou as obras mais próximas do término como prioridade. No caso, faltava o aterramento das duas cabeceiras, o asfaltamento da pista de rolamento e engrenagens da estrutura. Lula, que afirmou que não haverá "obra eleitoral" durante seu mandato, lembrou que outro critério para definir a continuidade é se a obra será útil para a comunidade, a região e o País. Levantamento do Ministério dos Transportes aponta 84 projetos nessa condição. No caso da ponte sobre o Paranaíba, as opiniões são unânimes sobre sua importância para o desenvolvimento das regiões do Pontão e do Triângulo Mineiro, além de estimular a diversificação da economia local, amparada na agricultura e na pecuária. O governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, destacou que a integração física e econômica com Minas Gerais vai alavancar um novo ciclo de desenvolvimento na região, abrindo novas possibilidade de atração de investimentos. É o caso de Paranaíba, que acaba de receber uma unidade da fábrica de calçados Pampili, com sede em Birigüi (SP), e se prepara para abrigar uma unidade do grupo português RHU, que produz computadores e periféricos. O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, definiu a ponte de Porto Alencastro como a primeira concluída da série de obras inacabadas que estão na lista de espera. E prometeu que "um grande lote" terá o mesmo destino até meados de 2004. Mas, pelos números do orçamento do ministério para o próximo ano, será preciso muita criatividade, como o presidente tem pedido a seus ministros. De R$ 2,3 bilhões projetados, R$ 350 milhões, rolados para o próximo exercício, estão comprometidos com restos a pagar. O ministério estima que serão necessários R$ 1,8 bilhão para manter o programa de recuperação da malha viária em curso. E ainda é preciso destinar R$ 400 milhões para obras com recursos internacionais, casos das BRs-101, 116 e 381. Além de uma suplementação orçamentária, Adauto aposta na regulamentação da Cide para fechar a conta e garantir fôlego para outros investimentos. O ministro acredita que negociações com os governadores sobre a fatia da arrecadação do tributo a ser destinada aos estados por conta da reforma tributária pode resultar em R$ 3 bilhões para atender "prioritariamente" obras inacabadas. Lula manifestou esperança de que as reformas tributária e da Previdência Social sejam aprovadas até 15 de dezembro. O presidente defendeu uma mudança de metodologia na abertura de novas obras, para evitar que sejam embargadas durante sua execução. "Ao invés de começar a fazer para depois mandar o Tribunal de Contas investigar, é melhor começar a participar junto, desde a elaboração do projeto, para que a gente não tenha as obras truncadas", afirmou. A agenda de sábado do presidente foi fechada em Corumbá, com as comemorações dos 26 anos de criação de Mato Grosso do Sul. Lula assinou editais para a recuperação de rodovias federais, entre elas a do trecho BR-262 entre Campo Grande e Corumbá. As obras, segundo Adauto, começam este mês. Lula também anunciou a negociação de uma linha suplementar de R$ 1 bilhão, com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), para investimentos na região Centro-Oeste.