Título : Andrade e Jereissati vão se tornar os maiores empresários do setor no País
Data Publicação: 29/03/2008
Fonte : Clipping Ministério do Planejamento
Negócio também beneficia Daniel Dantas, do Opportunity, que se livra de processo e fica com mais de R$ 1 bi Os grandes ganhadores do meganegócio nas telecomunicações são os empresários Sergio Andrade, da Andrade Gutierrez, e Carlos Jereissati, do Grupo La Fonte. Eles estão a caminho de se tornar os maiores empresários no setor de telecomunicações e controlar a quarta maior empresa do País. Também ocuparão a terceira colocação entre os investidores em telefonia na América Latina - atrás da Telefónica, da Espanha, e do mexicano Carlos Slim.Isso não quer dizer, contudo, que os demais sócios perderam. Depois de anos de briga e de várias tentativas de se desfazer o nó entre os sócios da Telemar, Citigroup e a GP Participações deixam o setor, como pretendiam. Daniel Dantas, do banco Opportunity, que lutou durante anos para ficar no controle da empresa, também sai, mas fica livre dos...
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Negócio também beneficia Daniel Dantas, do Opportunity, que se livra de processo e fica com mais de R$ 1 bi Os grandes ganhadores do meganegócio nas telecomunicações são os empresários Sergio Andrade, da Andrade Gutierrez, e Carlos Jereissati, do Grupo La Fonte. Eles estão a caminho de se tornar os maiores empresários no setor de telecomunicações e controlar a quarta maior empresa do País. Também ocuparão a terceira colocação entre os investidores em telefonia na América Latina - atrás da Telefónica, da Espanha, e do mexicano Carlos Slim.Isso não quer dizer, contudo, que os demais sócios perderam. Depois de anos de briga e de várias tentativas de se desfazer o nó entre os sócios da Telemar, Citigroup e a GP Participações deixam o setor, como pretendiam. Daniel Dantas, do banco Opportunity, que lutou durante anos para ficar no controle da empresa, também sai, mas fica livre dos processos na Justiça e recebe um pagamento de mais de R$ 1 bilhão por sua participação - e dos cotistas de seus fundos - na BrT e na Oi. Todos os processos em curso serão anulados. As partes também se comprometeram a não entrar na Justiça para resolver disputas antigas na Brt e na Oi. Com isso, Dantas se livra de um processo de US$ 300 milhões movido pelo Citi nos Estados Unidos. E abre mão de mover processos contra o banco americano por causa das teles. Essa era a última condição que faltava para se fechar negócio. Dantas resistiu até o último momento porque queria pedir uma indenização ao Citi pelas acusações públicas nas disputas pelo controle da Brasil Telecom. Mas acabou abrindo mão das ações contra o Citi depois de ser pressionado pelos fundos de pensão, que ameaçaram desistir de todo o negócio.PODEREmpresários dos ramos de construção civil e de shopping centers, respectivamente, Andrade e Jereissati vão se tornar os controladores da quarta maior empresa brasileira em receita, atrás apenas da Petrobrás, Vale e Gerdau, conforme levantamento da consultoria Economática. Segundo fontes ligadas às empresas, Andrade e Jereissati teriam menos de 5% do capital total da Oi depois da compra da BrT. Embora tenham uma participação relativamente pequena no capital total da empresa, os dois empresários dominam o bloco de acionistas que controla a empresa e passam a ter muito mais poder econômico e influência política no País. As conversas para a reestruturação acionária da Oi e para a aquisição da BrT foram cercadas, desde o início, por divergências, segundo fontes que acompanharam o negócio. Durante algum tempo, imaginou-se que o empresário Sérgio Andrade nutria ambições de comandar a reestruturação sozinho, opondo-se a Jereissatti, parceiro de longa data dos fundos de pensão, com os quais estaria alinhado, numa espécie de cabo-de-guerra. Essa versão levava em conta que os fundos teriam dificuldade de aceitar o modelo porque iriam diluir posição numa empresa maior. Com a bênção do governo, contudo, Andrade e Jereissati, que operam com estilos diferentes, avançaram juntos na empreitada. Jereissati é considerado um empresário mais explosivo. Andrade, mais introspectivo e cauteloso, move-se de maneira discreta no mundo empresarial. Seu grupo foi um dos maiores doadores individuais da candidatura de Lula à Presidência. Não faltaram rumores, na reta final das negociações, de que o negócio interessava mais aos dois grupos do que aos próprios fundos de pensão, que acabaram aderindo. Na prática, contudo, fundos de pensão e o Citigroup já haviam feito um acordo, há pelo menos três anos, para viabilizar suas saídas da Brasil Telecom, o que aconteceria via uma pulverização de ações ou venda das fatias acionárias. O GP também vinha indicando que já havia ficado muito tempo dentro da BrT e queria dar liquidez ao seu investimento. A maior resistência ao negócio acabou ficando por conta das disputas entre o Citi e Daniel Dantas. Embora evite falar sobre o assunto, as informações são que Dantas teria querido inicialmente vender apenas suas participações na BrT e permanecer na Oi, mas teria recebido indicações de que desse jeito o negócio não sairia. Acabou convencido da saída.O salto de Jereissati e Andrade a partir da compra da BrT pela Oi é grande, mas a empresa ainda será relativamente pequena comparada aos grandes que atuam na América Latina e no mundo. Somadas as receitas líquidas, Oi/BrT movimentam US$ 16,2 bilhões, bem menos do que os espanhóis da Telefónica na região (US$ 29,5 bilhões) e que o grupo do empresário mexicano Carlos Slim (US$ 46,8 bilhões). A distância é ainda maior quando comparado aos faturamentos das americanas AT&T (US$ 119 bilhões) e Verizon (US$ 93,5 bilhões).